A tão necessária qualificação
Os números são grandiosos. O Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (INDA) divulgou recentemente que as vendas de aço no primeiro trimestre deste ano chegaram a 958,2 mil toneladas, volume 24,7% maior em relação ao mesmo período do ano passado. Em março, outro recorde histórico: 335,9 mil toneladas vendidas em apenas um mês.
Os valores apresentados são o reflexo do aquecimento da atividade industrial no País e entre as quais desponta o segmento de máquinas e equipamentos como sendo o responsável pela maior parte das vendas no primeiro trimestre, que detém 16% do montante comercializado pelos associados do INDA, com 177,8 mil toneladas.
Setores como o da construção civil, de petróleo e gás e automobilístico também estão em franca expansão.
O setor petrolífero, por exemplo, tem uma expectativa de investimento de US$ 25 bilhões anuais entre 2008 e 2012, isso sem considerar a exploração das reservas recém-descobertas da camada pré-sal.
Por tudo isso, o setor de tubos tem muitos motivos para comemorar. Em 2007, registrou 41% de aumento nas vendas e as perspectivas para 2008 indicam que o caminho será ainda melhor.
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas... A pedra no sapato está no fato de o Brasil não dispor de mão-de-obra qualificada para atender a tamanho crescimento. Isso é um problema que atinge todos os setores, inclusive, e diretamente, o setor de saneamento básico, que, segundo o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), integrante da subcomissão especial que estuda o tema do uso múltiplo da água, “falta pessoal capacitado para gerenciar os recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”.
O impacto dessa escassez de mão-de-obra qualificada para o desenvolvimento do País é enorme.
Diante deste megaproblema, o governo federal planeja construir 150 escolas técnicas federais, em todos os Estados, até 2009, que oferecerão cursos de qualificação, superiores e técnicos de nível médio. Já o governo paulista pretende ampliar o número de Faculdades de Tecnologia (Fatecs) de 39 para 52 até 2010 e também aumentar o número de vagas nas Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) de 77 mil para 177 mil.
O Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp) também está investindo pesadamente na formação de profissionais: quer capacitar 112 mil pessoas até 2009. Do investimento de R$ 300 milhões no Prominp, R$ 262 milhões vêm da Petrobras e o restante, do governo federal.
Não existe outro caminho para driblar a situação. Só o investimento em qualificação poderá, mesmo que a médio prazo, resolver um problema que já é crônico no País. Muito bem-vindas também serão as parcerias entre fabricantes, instituições, associações, sindicatos e escolas técnicas.
É preciso plantar para, depois, colher. Já perdeu-se tempo demais... Agora, mãos à obra.